o museu que nasceu antes de Portugal o querer
Frei Manuel do Cenáculo Villas-Boas acumulou livros, moedas, fósseis e peças arqueológicas com uma obstinação que só um arcebispo com poder e curiosidade conseguiria sustentar. Foi esse espólio pessoal, reunido no século XVIII, que deu origem ao Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo. A instituição que existe hoje em Évora tem mais de 20 mil peças e abrange pintura, escultura, arqueologia, numismática, têxteis litúrgicos e naturália.
O edifício fica no centro histórico e tem uma ala que funciona como anexo à Igreja do Convento das Mercês. Parte do acervo veio directamente da extinção das ordens religiosas em 1834: os espólios dos conventos da cidade entraram aqui quando não tinham para onde ir.
o que está nas paredes
A colecção de pintura vai do século XV ao XX e inclui nomes como Josefa de Óbidos, Domingos Sequeira e Dórdio Gomes. Mas o que faz parar é o Políptico da Sé de Évora, treze pinturas a óleo sobre madeira atribuídas ao círculo de Gerard David, e o Tríptico da Paixão de Cristo em esmalte de Nardon Pénicaud. O Tríptico do Conventinho de Valverde, de Gregório Lopes, está também aqui. Três peças classificadas como tesouros nacionais, num museu que a maioria dos visitantes apressados de Évora passa a correr.
A secção de arqueologia inclui o espólio da Anta Grande do Zambujeiro, um dos maiores monumentos megalíticos da Península Ibérica, que fica a poucos quilómetros da cidade. Entrar aqui com esse contexto muda o que vês nas vitrinas.
o que vais encontrar
- o políptico da sé: treze tábuas que viajaram até aqui quando o altar-mor da catedral foi reformado
- escultura tumular que veio de igrejas e conventos extintos no século XIX
- a colecção de numismática como reflexo da obsessão enciclopédica de Cenáculo
- arqueologia do megalitismo alentejano com peças directamente ligadas à paisagem que rodeia Évora




