o aqueduto do século XVI que ainda hoje abastece Évora
O Aqueduto da Água de Prata atravessa o Alentejo durante cerca de 18 quilómetros, desde nascentes na Graça do Divor (perto do Convento de São Bento de Castris) até ao centro histórico de Évora. A obra é renascentista, do reinado de D. João III, projectada e dirigida pelo arquitecto régio Francisco de Arruda (o mesmo da Torre de Belém), e inaugurada em 1537. É das poucas estruturas desta dimensão do século XVI em Portugal que continuam efectivamente a transportar água: parte do abastecimento da cidade ainda passa por aqui.
A parte mais conhecida e fotografada é a entrada do aqueduto na cidade, na Rua do Cano, onde os arcos altos baixam progressivamente de altura à medida que o terreno sobe, e onde as casas mais antigas foram construídas literalmente encaixadas entre os pilares e nas curvas dos arcos. Vais andar pela rua e ver lojas, pequenas casas, tabernas e oficinas que ocupam o espaço dos arcos como se estes fizessem parte da fachada. É um caso urbano raro de integração de uma infraestrutura monumental no tecido construído, e o que torna o aqueduto particularmente único entre os seus pares ibéricos.
Na periferia da cidade e ao longo do percurso até à Graça do Divor, o aqueduto corre por entre montados e olivais, com troços visíveis em vários pontos. Há percurso pedestre marcado que segue parte do traçado, e que se faz a pé ou de bicicleta ao longo de alguns quilómetros, com paragens nas mães de água e arcos isolados. É outra escala de leitura: vês a infraestrutura em modo paisagem, não em modo urbano.
Faz parte do conjunto classificado pela UNESCO como Património Mundial (Centro Histórico de Évora, desde 1986) e está classificado como Monumento Nacional desde 1910. Entrou também na lista bienal do World Monuments Watch por necessidade de preservação. A combinação ideal é vê-lo na cidade primeiro (Rua do Cano, mãe de água na zona alta) e, se quiseres a versão completa, fazer parte do percurso pedestre nos arredores num segundo dia.
a cena toda
- 18 km de aqueduto renascentista, ainda em funcionamento
- projecto e direcção de Francisco de Arruda, inaugurado em 1537 sob D. João III
- entrada na cidade pela Rua do Cano, com casas encaixadas entre os arcos
- percurso pedestre nos arredores, ao longo do traçado original
- Monumento Nacional desde 1910, parte do Centro Histórico de Évora classificado UNESCO





