uma torre construída por três reis, em mármore branco
Vinte e sete metros de mármore branco extraído mesmo aqui, do subsolo desta zona do Alentejo. É com isso que estás a lidar quando olhas para a Torre das Três Coroas: não é calcário, não é granito, é mármore de Estremoz, do princípio ao fim, por fora e por dentro. Poucos monumentos medievais ibéricos têm esta consistência de materiais.
O nome não é metáfora nem fantasia heráldica. A construção da Torre das Três Coroas atravessou de facto três reinados: começou com D. Afonso IV, continuou com D. Pedro e foi D. Fernando quem lhe deu o acabamento e o nome. Três coroas, três reinados, uma torre. No terraço, estão representadas essas três coroas em pedra, bem visíveis para quem sobe ao topo.
Por dentro, o segundo piso guarda uma sala octogonal com colunas de capitéis de moldura gótica, o género de coisa que aparece em manuais de arquitectura medieval portuguesa e que aqui se visita sem multidões. A alcáçova onde a torre se insere foi depois convento e é hoje pousada, o que significa que o terreiro que a rodeia tem uma vida própria, discreta, com os paços reais à esquerda e a Igreja de Santa Maria a fechar o conjunto. A Rainha Santa Isabel morreu nesta cidade, em 1336, o que diz muito sobre o peso histórico que este recinto carregou.
Subir a torre é chegar ao topo da cidade alta de Estremoz e perceber, de uma vez, por que razão os três reis se foram passando o projeto uns aos outros: daqui vê-se a planície alentejana aberta em todas as direções, com a Serra de Ossa como único limite a norte.
três reinados num bloco de pedra
A Torre das Três Coroas pertence ao conjunto monumental da Alcáçova, uma das mais bem preservadas estruturas medievais do Alentejo. A muralha baixa que a envolve, percorrida por um adarve largo e reforçada com quatro cubelos semi-cilíndricos, dá a escala de como era uma praça-forte a sério. Estremoz foi, durante séculos, uma das forças militares de referência na fronteira com a Extremadura espanhola, e esta torre era o ponto central de toda essa estrutura defensiva.
Com cerca de 27 metros de altura e planta quadrangular, é considerada uma das torres de menagem mais bem conservadas do país. Os merlões piramidais no topo são típicos da arquitectura militar de finais do século XIII e inícios do XIV, mas o volume da torre pertence a uma cronologia mais longa, aquela que os três reinados foram construindo sem pressa e sem atalhos.
o que vais encontrar
- mármore branco de Estremoz do chão ao topo, por fora e por dentro
- sala octogonal com colunas góticas no segundo piso
- as três coroas em pedra no terraço, com vista sobre a planície
- o terreiro da alcáçova, com os paços reais e a Igreja de Santa Maria em redor



