o aqueduto que demorou cento e vinte anos a chegar a Elvas
O Aqueduto da Amoreira é a peça que mais aparece em fotografias de Elvas, e justifica-o: são vários quilómetros de arcos a percorrer a planície alentejana, com troços onde a estrutura ganha quatro registos sobrepostos de arcos para vencer o desnível, atingindo perto de 30 metros de altura. A obra começou em 1537 e só ficou concluída em 1622, sob direcção do arquitecto Francisco de Arruda (o mesmo da Torre de Belém e do Aqueduto da Água de Prata em Évora), com intervenções posteriores de outros arquitectos. Levou perto de cento e vinte anos a transportar a água desde a Quinta da Amoreira até à cidade.
A escala é o que torna o aqueduto particular. Em Elvas o terreno desce de forma marcada antes de voltar a subir até ao centro fortificado, e foi preciso erguer uma estrutura quase em torre para manter o gradiente da água. Os quatro registos de arcos sobrepostos no troço mais alto criam um efeito que nenhum outro aqueduto português oferece à mesma escala. Vais ver a coisa a chegar à cidade pela estrada e antes de pisar Elvas já percebeste do que se trata.
O ponto de chegada do aqueduto é a Fonte da Misericórdia, ainda no centro histórico, onde a água continua a sair em mananciais. O conjunto é parte integrante da classificação UNESCO de Elvas como Cidade-Quartel Fronteiriça (Património Mundial desde 2012), em conjunto com as fortificações e as praças-fortes. Está classificado como Monumento Nacional desde 1910.
A melhor maneira de ver é circulando à volta da cidade pela parte sudoeste, onde o aqueduto desemboca. Há vários ângulos: de baixo, com a estrutura a fechar o horizonte; de longe, do alto das muralhas, com a planície a abrir-se e o aqueduto a cortá-la em linha recta. Em qualquer altura do dia funciona, mas ao fim da tarde, com sol oblíquo a marcar os arcos contra a luz, é a hora que justifica fotografia. Combina bem com a visita às muralhas e ao forte de Santa Luzia, que ficam logo acima.
o que vais encontrar
- vários quilómetros de aqueduto entre Quinta da Amoreira e o centro de Elvas
- até quatro registos sobrepostos de arcos no troço mais alto, perto de 30 metros
- obra iniciada em 1537 sob direcção de Francisco de Arruda, concluída em 1622
- Monumento Nacional desde 1910, parte da classificação UNESCO de Elvas
- chegada do aqueduto faz-se ainda à Fonte da Misericórdia, em funcionamento



