Sinagoga de Castelo de Vide
José Luis Filpo Cabana CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Sinagoga de Castelo de Vide

uma das duas que restam em todo o país

Dois pisos, paredes de pedra, arcos em ogiva nas três portas. Não há sinalética excessiva nem reconstituição cenográfica: o espaço fala por si, e o que tem para dizer tem setecentos anos. A Sinagoga Medieval de Castelo de Vide é um dos dois únicos edifícios do género que sobreviveram em Portugal desde a época anterior à expulsão dos judeus em 1496. A outra fica em Tomar.

Depois do decreto de D. Manuel I, quem ficou continuou a usar o espaço em segredo. Marranos reuniam-se aqui como escola e lugar de culto clandestino até meados do século XVI. Depois, o edifício mudou de mãos e de funções várias vezes, chegando a ser habitação privada no século XVIII. O tabernáculo, o Aron Kodesh esculpido em pedra no século XV, só voltou a aparecer em 1972, durante obras numa parede exterior.

o que o edifício guarda

O tabernáculo tem dois níveis: em cima ficavam os Livros Sagrados, em baixo havia três cavidades para água, azeite e vinho. Do lado esquerdo, uma mísula com sete bolas na base representa os seis dias da criação e o dia de descanso. Na ombreira de uma das portas há ainda a ranhura da mezuzá, onde se guardava o rolo com o Shemá Israel. Pequenos detalhes que só fazem sentido quando estás mesmo ali à frente, a olhar de perto.

O edifício fica na Rua da Judiaria, no coração da judiaria medieval de Castelo de Vide, junto à porta principal do castelo. O bairro em volta ainda tem a escala e a geometria do século XIV, o que muda por completo a forma de entrar neste sítio.

vai preparado para

  • um espaço pequeno, sem encenação, onde a ausência é parte do discurso
  • o tabernáculo de pedra redescoberto por acaso durante obras
  • a mezuzá na ombreira, quase imperceptível se não souberes o que procuras
  • um bairro medieval que continua a existir à volta, não como decoração

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