a baía que não é bem praia, não é bem lago
Uma abertura de poucos metros. É só isso que separa a baía do oceano aberto. A forma é de vieira, perfeita ao ponto de parecer desenhada, e a água fica tão quieta que reflecte os edifícios da marginal como se fosse um espelho partido ao meio pela maré.
A história desta geometria vem de antes dos humanos. As serras da Pescaria e do Bouro foram uma só ilha em tempos geológicos. Quando se dividiram, deixaram este bolso de mar encaixado entre elas. São Martinho do Porto cresceu dentro desse acidente.
A elite do século XIX percebeu o negócio cedo. A vila ficou conhecida como o "bidé das marquesas" e o bairro da praia tinha já ares de segunda vila por volta de 1885. Há uma espécie de arquitectura de veraneio tardio que ainda se sente nas fachadas da marginal: nem turismo de massas nem aldeia esquecida.
Do morro de Santo António, onde um farol pequeno partilha o espaço com uma capela de azulejos brancos e azuis, tens a baía inteira abaixo de ti. É um daqueles ângulos que explicam por que razão este recorte de costa específico, e não qualquer outro, é que ficou gravado em folhetos durante cem anos.
o túnel que muda tudo
A baía tem uma saída discreta: um túnel pedonal estreito que desemboca directamente no Atlântico. De um lado, a água parada da enseada. Do outro, o oceano a bater nas rochas com uma violência que não prepara ninguém.
É um contraste físico tão abrupto que parece deliberado. Dois estados do mar, separados por uns metros de granito escavado.
vai preparado para
- estacionamento difícil na marginal, mesmo fora de época alta
- uma duna fóssil com núcleo de arenito vermelho, em Salir do Porto, a poucos minutos
- ruínas de uma alfândega onde se construíram caravelas para D. Afonso V e D. João II
- o ascensor do Outeiro, acesso entre a parte baixa e a parte alta da vila



