o barro que conta a ilha toda
Começou com um pároco que não queria que as coisas desaparecessem. O padre José Maria Amaral foi recolhendo peças, guardando-as numa antiga casa junto à igreja de Santo Espírito, e em 1972 inaugurou ali um museu etnográfico paroquial. Décadas depois, o Museu de Santa Maria tornou-se instituição regional, com acervo estudado e espaço adaptado. A chaminé tubular e o forno bojudo do edifício são detalhes da arquitectura rural mariense que não encontras noutro sítio dos Açores.
O núcleo central é a cerâmica. Não como decoração de parede, mas como registo de vida: as peças usadas nas cozinhas, nas lojas das casas, nos trabalhos da terra. Há produção local de Santa Maria, mas também peças vindas da Lagoa em São Miguel e da Terceira, o que transforma a exposição num mapa das trocas internas do arquipélago. As colecções cobrem os séculos XIX e XX, quando esta ilha vivia ainda muito fechada sobre si mesma.
A exposição permanente chama-se "O Barro, a Cerâmica e a Vida Quotidiana" e tem pequenos núcleos sobre agricultura e tecelagem que completam o retrato. Santo Espírito fica no interior sul da ilha, longe da agitação de Vila do Porto, e chegar até aqui já é perceber outra escala de Santa Maria.
o que vais encontrar
- cerâmica utilitária de produção mariense, das mais antigas da ilha
- peças de São Miguel e Terceira que mostram as rotas comerciais internas dos Açores
- arquitectura com chaminé tubular e forno bojudo típicos de Santa Maria
- núcleos de tecelagem e agricultura que contextualizam o acervo cerâmico
- edifício dentro da zona de protecção da Igreja de Nossa Senhora da Purificação



