onde a fronteira tem muralhas e o rio é testemunha
Cinco quilómetros de muralha encimam dois outeiros sobre o Minho, com Tui ali em frente, do lado galego. Não é uma ruína contemplativa nem um castelo fechado a pino: a fortaleza de Valença tem casas, igrejas, lojas e gente a viver dentro dos seus baluartes, como sempre teve.
A ocupação deste cabeço vem de antes de Portugal existir. Romanos usaram o sítio como castellum estratégico sobre a travessia do Minho, depois vieram suevos, godos, mouros, reis leoneses e portugueses. D. Sancho I tomou Tui em 1186 e a praça-forte foi ganhando camadas. O que vês hoje, porém, foi moldado nos séculos XVII e XVIII: é o sistema abaluartado que o Conde de Castelo Melhor mandou construir segundo desenho de Michele de Lescole, depois aperfeiçoado com o modelo do Marechal Vauban. É um dos exemplares mais completos desta escola na Península Ibérica.
duas praças, uma fortaleza
A estrutura divide-se em dois polígonos distintos: a Magistral, o recinto mais antigo onde fica o centro histórico, e a Coroada, separados por um fosso com falsas-bragas. No total: 10 baluartes, 5 revelins, 34 guaritas, 214 canhoneiras. Cada elemento tinha uma função técnica precisa no sistema de fogo cruzado que tornava a praça quase inexpugnável. Capitulou apenas uma vez perante forças externas, quando as tropas do General Soult a tomaram em 1809, durante as Invasões Francesas. Em 1912 ainda repeliu a incursão monárquica de Victor de Sepúlveda. Monumento Nacional desde 1928.
Dentro das muralhas há igrejas como a de Santa Maria dos Anjos e a de Santo Estêvão, a Fonte da Vila, paióis, o Aljube e o Portal Champalimaud. O rio Minho e a catedral medieval de Tui formam o horizonte a poente. É o tipo de lugar em que percorres uma cortina de muralha a pé e, sem o planear, estás a olhar para Espanha de cima de séculos de fronteira.
o que vais encontrar
- dois recintos amuralhados com fosso entre eles, para percorrer a pé
- guaritas, canhoneiras e revelins com o Minho em fundo
- um centro histórico vivo dentro das muralhas, com comércio e igrejas
- a vista directa para Tui e para a ponte que liga os dois países
- arquitectura militar barroca com traço Vauban intacto



