Convento dos Capuchos
Portuguese_eyes CC BY-SA 2.0 · flickr.com
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Convento dos Capuchos

convento da cortiça, no meio do granito

Paredes, portas, tectos: tudo forrado a cortiça. Não é decoração nem detalhe curioso, é a alma do lugar. Os frades franciscanos que aqui viveram a partir de 1560 usaram a cortiça como isolante contra o frio e a humidade da Serra de Sintra, e o resultado é um convento que parece crescido da rocha, não construído sobre ela.

O Convento dos Capuchos foi mandado erguer por Dom Álvaro de Castro para cumprir um voto do pai, o Vice-Rei da Índia Dom João de Castro. A localização não foi escolhida por acidente: o mato denso, os penedos de granito, o isolamento. As celas estão literalmente escavadas na rocha ou encostadas a ela, com tecto baixo que obriga a curvar a cabeça. Aqui o espaço não é pobreza de meios, é arquitectura de intenção.

Percorres corredores que cabem uma pessoa, entras em divisões do tamanho de um camarote de barco, e começas a perceber o que era um dia de um frade capucho no século XVI. A cozinha, o refeitório, a biblioteca, a sala do capítulo: tudo numa escala que o mundo moderno esqueceu de fazer. Em 1834, com a extinção das ordens religiosas pelo regime liberal, o convento foi abandonado. O que sobrou foi o tempo a trabalhar sobre ele.

O bosque à volta nunca foi cortado pelos frades, e hoje é um dos exemplos mais conservados da floresta primitiva da Serra. Quando saes dos corredores forrados a cortiça e pisas o caminho de terra rodeado de carvalhos e musgos, percebes que o convento e a floresta são a mesma coisa.

o convento mais pequeno que já viste

Arquitectura de planta irregular que segue a encosta em vez de a dominar. As fachadas não têm um único elemento decorativo, de acordo com os votos de pobreza franciscanos. No interior, o único ornamento permitido: embrechados, azulejos e, claro, a cortiça. A degradação é real e visível, fruto de vandalismo e do abandono pós-1834, mas a rusticidade que os frades construíram é difícil de adulterar. Há uma resistência neste lugar que os séculos não fizeram desaparecer.

vai preparado para

  • celas revestidas a cortiça com menos de dois metros de altura
  • penedos de granito que fazem parte das paredes e dos tectos
  • floresta densa mesmo à volta do edificado
  • corredores que obrigam a andar devagar
  • a Cova do Frei Honório, escavada directamente na rocha

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