a fortaleza que não quis ser inútil
Um rochedo de granito com forma arredondada. A semelhança com um queijo ficou, e o nome também. O Forte de São Francisco Xavier nasceu desta pedra, no séc. XVII, durante as Guerras da Restauração, quando o Porto temia ataques de esquadras espanholas pelo mar.
O engraçado é que os próprios vereadores da cidade tentaram livrar-se dele. Em 1717, a Câmara do Porto pediu a D. João V que o desactivasse, argumentando que o Castelo do Queijo era "inútil e supérfluo" e que custava caro a manter. O monarca recusou. A fortaleza ficou, atravessou as Guerras Liberais, foi ocupada pelos miguelistas, bombardeada, saqueada, e está aqui até hoje a rematar a Avenida da Boavista pelo lado do mar.
Hoje é gerido pela Associação de Comandos e tem um museu com armamento da Guerra do Ultramar. A vista sobre o Atlântico a partir do terrapleno, com os canhões históricos no sítio, é uma dessas experiências que o Porto urbano raramente avisa que tem.
arquitectura com vértice apontado ao mar
A planta é trapezoidal, baseada num triângulo equilátero com o vértice virado para o oceano, uma tipologia criada pelo engenheiro militar francês Miguel de l'École que serviu de modelo a outras baterias costeiras entre o Douro e o Minho.
Muralhas de cantaria de granito, guaritas pentagonais nos vértices com cúpulas e pináculos, fosso, ponte levadiça, e um portal monumental em arco de volta perfeita encimado pelo escudo nacional. Do lado de terra, o portão em plano reentrante. Do lado do mar, a bateria aberta ao vento. Dentro, a Casa do Comando, os quartéis e a cisterna.
o que vais encontrar
- rochedo de granito à vista, mesmo dentro do forte
- museu da Associação de Comandos com armamento do séc. XX
- canhões históricos no terrapleno, com o Atlântico em fundo
- posição entre o Porto e Matosinhos, na foz visual do Douro




