o forte no ilhéu, a quinze quilómetros de tudo
Há uma ponte estreita, de arcos, que liga a ilha ao ilhéu. Do outro lado, pedra do século XVII que o Atlântico nunca parou de bater. A travessia é curta, mas quem a faz percebe imediatamente que este não é um forte de interior, de escarpa continental ou de rio sossegado: é um forte construído sobre rocha granítica, rodeado de mar por todos os lados, onde cada canhoneira aponta directamente para a água.
O Forte de São João Baptista fica na ilha de Berlenga Grande, a cerca de quinze quilómetros de Peniche, e só se chega de barco. A planta é um polígono heptagonal irregular, adaptada à morfologia do ilhéu e não a qualquer modelo académico: onze canhoneiras abertas para o mar, um corredor interno sem luz natural que percorre a estrutura, compartimentos que foram casa do comando, quartel de tropas, armazéns e cozinha. Monumento Nacional desde 1938, hoje funciona como alojamento gerido pela Associação dos Amigos da Berlenga.
o cerco de 1666
A ordem de construção veio de D. João IV, em 1651. A obra ficou pronta em 1656. Dez anos depois, em Junho de 1666, uma frota espanhola de catorze navios de guerra e uma caravela, ao comando de Dom Diogo Ibarra, cercou o forte. Do lado português: menos de vinte homens e nove peças de artilharia, sob o comando do cabo Avelar Pessoa. Dois dias de bombardeamento. Resultado: quinhentos mortos e um navio afundado do lado espanhol; um morto e quatro feridos do lado português. O forte aguentou. É esse o episódio que define o lugar, mais do que qualquer detalhe arquitectónico.
A fortaleza esteve ainda envolvida nas Invasões Francesas e nas Guerras Liberais, antes de perder uso militar em 1914. Em meados do século XX foi restaurada e funcionou como pousada de luxo entre 1953 e 1971. O Estado cedeu-a depois à associação que a gere até hoje.
o que vais encontrar
- a ponte de arcos que liga o ilhéu à ilha, tão estreita que passas a sentir a água dos dois lados
- um corredor interno sem janelas que atravessa a estrutura
- onze canhoneiras com vista directa para o Atlântico
- a Berlenga à volta: granito, aves marinhas e água de cor fora do comum




