a aldeia que escreveu os seus próprios contos
Fajão está encaixada numa concha da serra do Açor, sobranceira ao rio Ceira perto da nascente. O que a distingue da maioria das aldeias do xisto da região são os Penedos de Fajão: formações quartzíticas gigantescas, esbranquiçadas, que se erguem por cima do casario como castelos naturais. Do Miradouro de Nossa Senhora da Guia vês a aldeia inteira lá em baixo e os penedos a fechar o horizonte.
Para uma aldeia pequena, Fajão tem peso institucional desconcertante. Foi concelho próprio desde 1233, por foral do prior do Mosteiro de Folques, até à reforma administrativa de 1855, quando foi extinto e incorporado em Pampilhosa da Serra. Tem museu próprio dedicado ao Monsenhor Nunes Pereira, sacerdote local que recolheu e publicou em 1989 os 24 Contos de Fajão pela Universidade de Coimbra, ilustrando-os com xilogravuras suas. Fez também os vitrais da Igreja Matriz. O museu guarda essas xilogravuras, aguarelas da aldeia, e o primeiro telefone público que aqui chegou.
Fajão é também epicentro do projecto Starlight Aldeias do Xisto, escolhido pela qualidade do céu nocturno. Pelas ruas, painéis de ardósia vão contando os Contos de Fajão à medida que andas. Os incêndios da última década deixaram marca nas encostas em redor; a aldeia em si manteve-se, e o contraste com a paisagem em recuperação é parte do que vês hoje.
vai sabendo que
- aldeia da serra do Açor, sobranceira ao rio Ceira perto da nascente
- foi concelho próprio até 1855, com foral de 1233
- a Capela de Nossa Senhora da Guia tem seis telas de Guilherme Filipe, pintor fajaense
- baixa poluição luminosa faz de Fajão um dos melhores sítios do país para observar o céu nocturno




