quatrocentos anos a fabricar o que destrói, agora a guardar o que fica
Há um museu dentro de uma fábrica dentro de um parque dentro de um vale. A Fábrica da Pólvora de Barcarena funciona assim: cada camada que descobres revela outra por baixo. A Ribeira de Barcarena, que atravessa o complexo e separava a Fábrica de Cima da Fábrica de Baixo, era a força motriz de tudo. Sem essa água, não havia pólvora. Hoje continua lá, mas já não serve ninguém que fabrique nada.
Quatrocentos anos de produção de armamento, de 1540 a 1940, deixaram edifícios espalhados por uma área considerável. A Câmara de Oeiras comprou o conjunto em 1995 e fez o que se faz com espaços grandes e cheios de história: encheu-os de coisas diferentes. O resultado é um sítio onde podes passar de uma exposição arqueológica do Centro de Estudos Arqueológicos de Oeiras para uma galeria de arte contemporânea, sem sair do mesmo recinto.
O Museu da Pólvora Negra é o núcleo duro, mas o que torna Barcarena estranha (no bom sentido) é a convivência entre a arqueologia, a universidade, os viveiros municipais e o festival Sete Sois Sete Luas, que aqui acontece. Não é um sítio com uma função. É um sítio que foi perdendo a sua função original e foi ganhando várias ao mesmo tempo. O vale absorveu tudo.
Entra pelo parque e deixa que o espaço te oriente. A ribeira ainda corre, os edifícios ainda têm a escala industrial que tinham, e há qualquer coisa de ligeiramente desconcertante em perceber que este lugar esteve a fabricar explosivos até há menos de cem anos.
o que encontras aqui
- o Museu da Pólvora Negra, com o processo de produção explicado no próprio espaço onde acontecia
- exposições arqueológicas do Centro de Estudos Arqueológicos de Oeiras
- galeria de arte com programa próprio do Clube Português de Artes e Ideias
- a ribeira visível ao longo do percurso, ainda a estruturar o espaço como sempre fez





