memória de quem ficou e de quem fugiu
Um matadouro municipal reconvertido é já um ponto de partida carregado. O Espaço Memória e Fronteira ocupa exactamente esse edifício, remodelado para guardar histórias que Melgaço conhece bem de mais para romantizar: o contrabando como sustento e a emigração como fuga.
O rio Minho corre mesmo ali ao lado, e durante décadas foi muito mais do que paisagem. Era a fronteira a atravessar, de noite, muitas vezes a nado ou numa batela. Uma dessas batelas está em exposição, ao lado de passaportes carimbados e rejeitados, fardos de tabaco, café e volfrâmio, e dos engenhos que as famílias inventavam para esconder mercadoria debaixo da roupa. Não são reconstruções cenográficas: são os objectos em si, com as marcas do uso.
O percurso combina registos de áudio, cartas, fotografias e documentos que reconstituem o processo todo: o contexto que obrigava as famílias a escolher entre o contrabando e a miséria, a decisão de ir "a salto", a chegada a um país que muitas vezes não estava à espera de ninguém. A investigação foi feita com a Universidade do Minho, e sente-se: há rigor nas fontes, não apenas emoção encenada.
Sais daqui a perceber Melgaço de outra forma. O casario, as aldeias quase vazias, o silêncio que ainda hoje pesa no concelho têm uma explicação que este espaço conta sem poupar pormenores.
vai preparado para
- a batela original usada para atravessar o Minho clandestinamente
- passaportes rejeitados e documentação real das travessias
- esconderijos de mercadoria feitos à mão, costurados na roupa ou camuflados na vegetação
- gravações de áudio com testemunhos de quem viveu isto



