onde o cinema europeu foi parar ao fim do mundo
Melgaço fica no canto mais a norte de Portugal, encostado à fronteira com Espanha e rodeado pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês. É aqui, neste município de menos de dez mil habitantes, que existe um museu dedicado a um crítico de cinema francês nascido em Boulogne-Billancourt.
A ligação não é arbitrária. Jean-Loup Passek passou anos a coleccionar e a preservar objectos ligados à sétima arte, e parte desse espólio acabou em Melgaço. O museu integra a Rede Melgaço Museus, que distribui pela vila e arredores vários núcleos temáticos, e ocupa o antigo edifício do Cine Pelicano, reabilitado pelo município.
quem foi Jean-Loup Passek
Passek não era um crítico qualquer. Dirigiu as colecções cinematográficas do Centre Georges Pompidou, em Paris, fundou e liderou o Festival du Film de La Rochelle e foi o criador do Prémio Caméra d'Or no Festival de Cannes, aquele que distingue a primeira longa-metragem de um realizador. Bertrand Tavernier, um dos maiores cineastas franceses, considerava-o uma das figuras centrais da história do cinema no seu país. Morreu em Paris em Dezembro de 2016.
O facto de o seu espólio ter chegado a Melgaço diz qualquer coisa sobre como Portugal às vezes guarda o que os grandes centros não quis ficar com ele.
o que vais encontrar
- espólio ligado ao cinema europeu do século XX
- um edifício com história própria, o antigo Cine Pelicano
- a surpresa de encontrar isto mesmo aqui, neste extremo do país
- uma vila pequena onde o museu é parte de um circuito maior pela memória local



