Museu da Lourinhã

o museu de dinossauros que a lourinhã não esperava ter

Há 150 milhões de anos, o que é hoje a Lourinhã era uma planície costeira habitada por alguns dos maiores predadores que já pisaram a Europa. Essa história ficou enterrada na argila das arribas do litoral oeste, e foi saindo à superfície aos bocados, fóssil a fóssil, desde os anos 80.

O Museu da Lourinhã guarda a maior colecção ibérica de fósseis do Jurássico Superior e uma das mais importantes do mundo. Não é uma instituição do Estado nem um projecto com financiamento fácil: nasceu de um grupo de cidadãos locais, o GEAL, fundado por Isabel e Horácio Mateus, e continua a ser gerido por pessoas da vila. Isso nota-se no modo como o espaço funciona, próximo, directo, sem a distância fria de um museu nacional.

O que tens aqui não existe noutro sítio. Os ovos fossilizados expostos contêm os embriões de dinossauro mais antigos conhecidos no mundo. O segundo maior ninho alguma vez identificado, com mais de uma centena de ovos, foi encontrado nesta região. E dez holótipos de espécies descritas pela primeira vez pela ciência estão fisicamente aqui, incluindo o Torvosaurus gurneyi, o maior predador terrestre do Jurássico europeu.

Vens à Lourinhã e percebes que as falésias que vês a poucos quilómetros não são só paisagem: são o sítio onde estas coisas foram desenterradas, e ainda há mais lá dentro.

dez espécies, todas daqui

Um holótipo é o espécime original a partir do qual uma espécie é descrita pela ciência. É, literalmente, a prova de que aquele animal existiu. O museu tem dez. Entre eles estão o Dinheirosaurus lourinhanensis, um saurópode de pescoço comprido, o Miragaia longicollum, com o pescoço mais longo de qualquer estegossauro conhecido, e o Allosaurus europaeus, primo europeu do predador norte-americano.

A investigação não parou com a fundação do museu. O laboratório Isabel Mateus continua activo, e os fósseis que chegam das campanhas de campo na região passam por ali antes de chegarem às vitrines. Não é um arquivo estático: é um museu onde o trabalho científico acontece a par do que o público vê.

o que vais encontrar

  • holótipos de dez espécies descritas pela ciência, todos de proveniência local
  • os embriões de dinossauro mais antigos do mundo, em ovos fossilizados
  • um museu gerido por uma associação local, sem a burocracia dos grandes equipamentos
  • laboratório activo e visitas escolares com programa próprio
  • jardim jurássico no exterior do edifício

cenas por perto

ver no mapa