arte sacra com nome próprio, num edifício que conheceu cinco séculos
Quatro tábuas pintadas por Lourenço de Salzedo. O mesmo homem que pintou o altar-mor da Igreja do Mosteiro dos Jerónimos está representado aqui, na Rua da Misericórdia, numa cidade mais conhecida pelos dinossauros do que pela pintura quinhentista. É esse o tipo de surpresa que o Espaço Museológico da Santa Casa da Lourinhã guarda sem grande alarido.
O espaço abriu em julho de 2024, mas a instituição que o sustenta nasceu em 1498. O acervo reflecte essa longevidade: arte sacra, documentação histórica, bandeiras da Misericórdia dos séculos XVI a XVIII e duas telas atribuídas ao Mestre da Lourinhã, pintor anónimo identificado precisamente por obras desta região. Não é um museu genérico de misericórdia. Tem peças com identidade própria e localização directa neste território.
O edifício histórico na Rua da Misericórdia faz parte da visita mesmo antes de entrares. A colecção é pequena no sentido bom: tempo suficiente para ver tudo com atenção, sem a sensação de ter corrido por cima de metade. A Lourinhã tem dois museus com conteúdo genuíno, e este é o mais novo dos dois.
o que vais encontrar
- as quatro tábuas de Lourenço de Salzedo, o ponto alto da colecção
- bandeiras processionaries da Misericórdia que atravessaram três séculos
- telas atribuídas ao Mestre da Lourinhã, pintor anónimo com obra rastreada a esta zona
- arte sacra e arquivo documental da própria instituição
- visitas guiadas disponíveis, úteis para contextualizar o que se vê




