seminário, bispo e cem mil anos de história
Um biface talhado há 100 mil anos está exposto a poucos metros de forais manuelinos do século XVI. Essa amplitude temporal é o primeiro sinal de que o Museu da Guarda não é uma colecção convencional. O edifício também não: o antigo Seminário Episcopal data de 1601, encomendado pelo bispo D. Nuno de Noronha, e parte do espaço pertenceu ao Paço Episcopal adjacente.
A cidade mais alta de Portugal tem museu à escala: robusto, sério, com colecções que cobrem arqueologia, arte sacra, etnografia e belas artes. O percurso pela exposição permanente funciona como uma leitura condensada da Beira Interior, desde a pré-história até ao século XX. No primeiro andar há auditório, galeria e biblioteca, o que transforma o espaço num ponto de encontro cultural activo, não apenas num depósito de objectos.
O Museu da Guarda tem história administrativa quase tão movimentada quanto o acervo: fundado em 1940 pela câmara, passou para tutela do Estado em 1985, e voltou ao município em 2015. Essa circulação de tutelas diz algo sobre o peso que a cidade atribui ao espaço. Está no centro da Guarda, a poucos minutos da Sé Catedral, e integra-se numa rede de percursos literários que inclui rotas ligadas a Miguel de Unamuno, que viveu exilado na cidade.
o que vais encontrar
- o biface de 100 mil anos, peça âncora da colecção arqueológica
- os forais manuelinos da Guarda e do Jarmelo, em suporte original
- exposições temporárias na cave, com artistas contemporâneos
- um edifício quinhentista com pátio interior que vale a visita por si só



