o art déco do estado novo a vender fruta
O edifício é de 1940, da autoria do arquitecto Edmundo Tavares, e oscila entre o Art Déco dos anos 30 e o modernismo do Estado Novo. A entrada principal está coberta de painéis de azulejos com temas regionais madeirenses, pintados por João Rodrigues e produzidos na Fábrica de Loiça de Sacavém. Os painéis continuam pelo interior. Antes de procurares as bancas, faz a volta à fachada e olha para os azulejos: é o melhor que o Funchal tem em desenho público da época.
Lá dentro, a estrutura organiza-se em torno de um pátio central a céu aberto, com varandas dos pisos superiores a olhar para as bancas em baixo. A entrada do peixe é separada, num pavilhão próprio com as bancadas em pedra polida pelos anos. A entrada principal abre para a praça da fruta, com pirâmides de anonas, pitangas, maracujás, goiabas, banana da Madeira. O ofício de tirar fotografias a vendedoras com fruta é actividade reconhecida (e cobrada): se não vens comprar, pelo menos pede licença.
O mercado tem dois ritmos. De manhã cedo é mercado a sério: gente do Funchal a fazer compras, peixe acabado de chegar, vendedores a abastecer as bancas. Depois das dez é turista a sério: cruzeiros despejam grupos, e a parte da fruta vira meio-mercado-meio-postal, com preços a condizer. Para a versão útil, vai antes das nove.
Sábado é o dia grande, com produtores dos arredores a virem vender directamente, sobretudo flores e produtos da serra. Fecha às 14h e domingo é dia fechado, atenção. Em qualquer dia útil, o peixe-espada preto (típico das águas profundas em volta da Madeira) é o protagonista garantido da banca do peixe.
a cena toda
- edifício art déco de 1940, painéis de azulejos de Sacavém na entrada e interior
- pátio central a céu aberto com varandas em volta
- pavilhão do peixe separado, com peixe-espada preto local em destaque
- fruta tropical madeirense (anona, maracujá-banana, pitanga) nas bancas viradas para a entrada
- antes das 9h tens mercado real; depois disso tens cenário



