Miradouro do Cabo Girão
Bjørn Christian Tørrissen CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Miradouro do Cabo Girão

o precipício que tens mesmo debaixo dos pés

Há um momento em que olhas para baixo e o chão não está lá. Ou melhor: está, mas é de vidro, e lá em baixo são 580 metros de falésia quase vertical sobre o Atlântico. É essa a proposta do Miradouro do Cabo Girão, e funciona com toda a gente, mesmo com quem jura que não tem medo de alturas.

O cabo fica na costa sul da Madeira, entre Câmara de Lobos e o Funchal, e a plataforma de observação em aço e vidro foi instalada em 2012, numa requalificação do miradouro original de 1938. Antes disso, o sítio já era conhecido, mas o chão transparente mudou a escala da experiência. Agora percebes mesmo o que significa 580 metros de queda vertical.

Lá em baixo, espalhadas pela base da falésia, estão três fajãs, manchas de terreno ganhas ao mar por desabamentos sucessivos ao longo de séculos. A maior parte da pedra que construiu a Sé do Funchal, o Palácio de São Lourenço e o Forte de São Tiago saiu daqui, cortada na base deste cabo e transportada pelo mar. O nome do lugar também tem história: foi aqui que os primeiros navegadores viraram para trás, no primeiro dia de reconhecimento da costa madeirense, e o ponto ficou como referência de regresso.

O acesso às fajãs era feito exclusivamente pelo mar até 2003, quando foi construído um teleférico. Se tiveres tempo e pernas, vale perceber que o que vês do miradouro é habitado, cultivado, e muito diferente do ângulo de cima.

o nome, a pedra, os desabamentos

O promontório entrou cedo na história da ilha. Os primeiros exploradores usaram-no como ponto de referência para o regresso, e esse papel de marco geográfico manteve-se durante séculos. Mais tarde, foi a sua base que abasteceu Funchal de matéria-prima: a pedra extraída aqui foi parar a alguns dos edifícios mais reconhecíveis da ilha, da Quinta das Cruzes à Câmara Municipal, do Convento de Santa Clara à capela do Parque de Santa Catarina.

Em 4 de março de 1930, um desabamento de grande escala gerou uma onda de cerca de 30 metros que matou cerca de 24 pessoas na Praia do Vigário, em Câmara de Lobos. A fajã que resultou desse colapso chama-se Fajã das Beberas. É isso que estás a ver lá em baixo quando olhas pelo vidro.

o que vais encontrar

  • plataforma de vidro sobre 580 metros de falésia vertical
  • vista directa sobre as fajãs da base e o Atlântico aberto
  • vento, mesmo em dias de sol na costa
  • estacionamento com acesso de carro pela estrada sul

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