Mosteiro da Batalha
Alvesgaspar CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Mosteiro da Batalha

o monumento que ficou por acabar, e isso é parte da peça

O Mosteiro da Batalha foi mandado construir por D. João I para cumprir um voto: se vencesse os castelhanos na batalha de Aljubarrota, em 1385, ergueria um mosteiro dominicano em honra de Santa Maria da Vitória. Venceu. A obra começou em 1386 e prolongou-se por mais de cento e cinquenta anos, sob o reinado de sete monarcas, com sete arquitectos sucessivos a dirigir os trabalhos (Afonso Domingues, Mestre Huguet, Mateus Fernandes, entre outros). Está classificado como Património Mundial UNESCO desde 1983, e é um dos exemplos mais cuidados de gótico flamejante e manuelino em Portugal.

A fachada principal já te dá pista do registo: portal monumental em gótico flamejante, com seis arquivoltas de figuras esculpidas, rosácea aberta sobre o portal, contrafortes verticais nos lados. Lá dentro, a igreja é alta, estreita e clara, com vitrais coloridos a marcar a luz a horas certas do dia. O claustro real adjacente, com a sua tracaria fechada em pedra rendilhada, é o ponto onde o manuelino entra em pleno: cada janela tem desenho próprio, com elementos vegetais, cordas, e a cruz da Ordem de Cristo a aparecer em quase tudo. É claustro para se andar devagar.

As Capelas Imperfeitas dão o nome ao monumento. Mandadas iniciar por D. Duarte como panteão dinástico, ficaram literalmente por acabar: o tecto nunca foi colocado, e o que vês hoje é o octógono enorme aberto ao céu, com os pilares decorados de cima a baixo em manuelino exuberante (correntes, esferas armilares, motivos vegetais, símbolos do mar). É uma das ruínas mais expressivas da arquitectura portuguesa, e funciona melhor por ter ficado por terminar. Não foi falta de dinheiro nem de mão de obra: foi prioridade política, com D. Manuel I a transferir o esforço dinástico para os Jerónimos em Belém. As Capelas ficaram suspensas a meio do gesto.

A outra coisa que vale a paragem é o Túmulo do Soldado Desconhecido, na Sala do Capítulo. É um cenotáfio em homenagem aos militares portugueses mortos na Primeira Guerra Mundial e na Guerra Colonial. A guarda de honra é permanente. A Sala do Capítulo tem ainda a abóbada em estrela octogonal que foi proeza técnica para a época, levantada por Mestre Huguet sem pilares centrais. Conta duas a três horas para fazer o conjunto com calma.

a cena toda

  • fundado por D. João I em 1386, em cumprimento de voto pela vitória em Aljubarrota
  • gótico flamejante e manuelino em diálogo, ao longo de mais de cento e cinquenta anos
  • Capelas Imperfeitas abertas ao céu, com manuelino exuberante nos pilares
  • claustro real com janelas em pedra rendilhada, cada uma com desenho próprio
  • Túmulo do Soldado Desconhecido com guarda de honra permanente

cenas por perto

ver no mapa