Convento de São Gonçalo
amaianos CC BY 2.0 · flickr.com
Convento de São Gonçalo
frans16611 CC BY 2.0 · flickr.com

Convento de São Gonçalo

quatro séculos de obra, uma cidade inteira à volta

A primeira pedra caiu em 1543, por ordem de D. João III. A última campanha de obras relevante só chegaria ao século XVIII. O Convento de São Gonçalo não foi construído: foi acumulado, reinado a reinado, numa sobreposição de mãos e de estilos que hoje se lê como uma enciclopédia de arquitectura religiosa portuguesa comprimida numa fachada.

Entras pela Praça da República e tens à frente duas fachadas em conflito produtivo. A principal, virada a poente, é sóbria, de gosto filipino, quase contida. Volta para a lateral e a conversa muda: o portal-retábulo sobe três registos, cada um com a sua linguagem, renascentista em baixo, maneirista a meio, barroco no topo. Na Varanda dos Reis, esculpidos em pedra, ficaram os quatro monarcas que passaram por esta obra: D. João III, D. Sebastião, o Cardeal-Rei D. Henrique e Filipe I.

O interior organiza-se em nave única com capelas laterais profundas. No lado do Evangelho está o túmulo do Beato Gonçalo, com estátua jacente, e a iconografia que o caracteriza sempre: a ponte medieval de dois arcos. Na sacristia, um tecto de caixotões pintados e um lavabo renascentista datado de 1554 guardam uma escala mais íntima. O claustro principal, com fonte centrada de Mateus Lopes erguida entre 1586 e 1606, é o lugar onde a construção finalmente respira. Um segundo claustro existiu, mas foi parcialmente demolido para dar lugar à Câmara Municipal de Amarante.

Há ainda uma imagem do século XX, de José Thedim, que representa São Gonçalo em tamanho natural com hábito dominicano. Amarante construiu este convento durante oitenta anos e ainda hoje o centro da cidade orbita à volta dele.

quatro estilos, uma obra dominicana

A encomenda original era de D. João III e da rainha D. Catarina de Áustria para um convento dominicano, no local de uma ermida que a tradição associava ao Beato Gonçalo desde o século XIII. O patronato real atravessou vários reinados e cada um deixou marca, o que explica a sobreposição de renascentista, maneirista, barroco e oitocentista no mesmo edifício sem que pareça um erro, antes um registo cronológico em pedra.

Na década de 1980, as dependências conventuais acolheram o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, com projecto de adaptação do arquitecto Alcino Soutinho. O convento que os dominicanos construíram durante décadas passou a ser também a casa da obra do pintor que pôs Amarante no mapa do modernismo europeu. São dois mundos distintos com um edifício em comum.

o que encontras aqui

  • portal-retábulo lateral com três registos em três estilos diferentes
  • túmulo do Beato Gonçalo com estátua jacente na colateral do Evangelho
  • sacristia com tecto de caixotões pintados e lavabo de 1554
  • claustro principal com fonte de Mateus Lopes
  • Varanda dos Reis com quatro esculturas de monarcas portugueses (e um castelhano)

cenas por perto

ver no mapa