Mosteiro de Alcobaça
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Mosteiro de Alcobaça

a cisterciense maior, e os túmulos que ninguém esquece

O Mosteiro de Alcobaça foi fundado em 1153 a partir de uma doação de D. Afonso Henriques a Bernardo de Claraval (a casa-mãe cisterciense em França), e é um dos maiores conjuntos cistercienses da Europa. A construção começou ainda no século XII e prolongou-se por décadas, com a igreja a ser sagrada em 1252. O conjunto inclui a igreja, claustro de D. Dinis (do século XIV), sala do capítulo, dormitório dos monges, refeitório, cozinha, e várias dependências em redor. Está classificado como Património Mundial UNESCO desde 1989.

A igreja é a peça arquitectónica que justifica por si só a viagem. Três naves de igual altura num corpo único de quase cem metros de comprimento, com pilares finíssimos a separar e a abrir o espaço para uma sensação de leveza que poucos templos cistercienses portugueses oferecem. A regra arquitectónica é a regra cisterciense: sem ornamento desnecessário, sem talha dourada, sem revestimentos coloridos. Pedra calcária clara, luz natural a entrar pelas janelas altas, e a estrutura como protagonista única. É uma das experiências de espaço gótico mais limpas que existem em Portugal.

Dois túmulos no transepto fazem parte da história contada de geração em geração: D. Pedro I e D. Inês de Castro, posicionados pé contra pé para que, no Juízo Final, quando se ergam, a primeira coisa que vejam seja um ao outro. A história é a que conheces: Pedro herdeiro, Inês a galega exilada, casamento secreto, assassínio em Coimbra em 1355 por ordem de D. Afonso IV, e a vingança de Pedro depois de subir ao trono. Os túmulos são do século XIV, em pedra calcária, com escultura figurativa minuciosa nas faces laterais e nos jacentes. Aproxima-te o suficiente para ver os detalhes nos vestidos e nos rostos. É escultura medieval portuguesa no seu melhor.

A cozinha merece paragem própria. Sala enorme, chaminé monumental ao centro, e um aqueduto interno que trazia água do rio Alcoa directamente para um lavadouro ali dentro (chegavam a criar peixe vivo no tanque). É a parte prática de uma comunidade que se bastava a si mesma, e é o detalhe que faz a visita ficar contigo: o engenho cisterciense não estava só na igreja, estava na forma de organizar o dia. A visita inteira leva duas a três horas com calma. Vai cedo.

a cena toda

  • fundação cisterciense de 1153, igreja sagrada em 1252
  • igreja gótica de três naves, com quase cem metros e luz natural como protagonista
  • túmulos de D. Pedro I e D. Inês de Castro, posicionados pé contra pé
  • cozinha com chaminé central e aqueduto interno trazendo água do rio Alcoa
  • Património Mundial UNESCO desde 1989, gerido pela Museus e Monumentos de Portugal

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