Museu do Neo-Realismo
GualdimG CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Museu do Neo-Realismo

o arquivo de uma geração que escreveu contra o sistema

Vila Franca de Xira tem uma ligação directa ao neo-realismo que não é acidental: Alves Redol, o escritor de "Gaibéus", era daqui. A rua onde fica o museu tem o nome dele. Esse enraizamento local é o ponto de partida para perceber porque é que o Museu do Neo-Realismo existe aqui e não em Lisboa.

O edifício actual foi inaugurado em 2007, projectado por Alcino Soutinho, e tem uma escala que surpreende quem chega sem esperar muito de uma cidade desta dimensão: mais de mil metros quadrados de espaços expositivos, auditório, biblioteca temática, cafetaria, livraria. Mas o que o distingue de outros museus literários não é o espaço, é a profundidade dos espólios. Trinta e tal espólios doados, entre literários, artísticos e editoriais, de Alves Redol a Orlando da Costa, da revista Vértice à Associação Feminista Portuguesa para a Paz. É um arquivo real de um movimento real.

O museu não trata o neo-realismo como peça de museu. A programação inclui exposições temporárias com curadoria activa, conferências internacionais e itinerâncias por Portimão e pelo Rio de Janeiro. A colecção circula, o debate continua.

Se o neo-realismo te parece uma coisa do passado distante, este sítio pode mudar isso. Há documentos, manuscritos e obras de arte que tornam concreto o que foi escrever e pintar em Portugal nos anos do Estado Novo, a partir de uma cidade ribeirinha do Tejo.

o que ninguém repara

  • a ligação ao espólio de Alves Redol dá ao museu uma raiz local que poucos museus literários portugueses têm
  • os espólios editoriais incluem publicações de resistência cultural que circulavam sob censura
  • o arquivo da Associação Feminista Portuguesa para a Paz é raro e pouco conhecido
  • exposições itinerantes activas: o museu está agora mesmo no Rio de Janeiro e em Portimão em simultâneo

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