torres vedras guardada em vitrines
Num convento do século XVI instalado no coração de Torres Vedras, a arqueologia local tem casa própria. O edifício já foi habitado por freiras clarissas, depois por tribunal, depois por cadeia: há uma longa vida acumulada nas paredes antes de qualquer peça estar em exposição.
O Museu Municipal Leonel Trindade organiza-se em torno do território do concelho, desde a pré-história até à época contemporânea. A colecção arqueológica é o núcleo forte: espólios de escavações na região, cerâmicas, metais, materiais que saíram do chão deste bocado específico da Estremadura. Não é um museu de grandes narrativas nacionais. É um museu de sítio, com tudo o que isso implica.
Leonel Trindade, o nome do museu, foi o arqueólogo local que passou décadas a escavar e a catalogar a região. A colecção que reuniu é a espinha dorsal do que hoje se vê. Isso nota-se: há uma coerência geográfica aqui que nem sempre existe neste tipo de museus municipais.
Torres Vedras tem mais camadas do que o Carnaval sugere, e este museu é o lugar onde isso se torna concreto.
o convento por baixo do museu
O edifício pertenceu ao Convento de São Francisco, fundado no século XVI. A ocupação religiosa durou séculos, mas o edificado sobreviveu a várias conversões de uso, cada uma deixando marca. Hoje o espaço tem aquela qualidade que os conventos adaptados têm: tectos altos, luz filtrada, uma escala que faz as colecções respirarem de forma diferente do que numa caixa branca contemporânea.
A própria estrutura é parte da visita.
o que vais encontrar
- arqueologia do concelho em profundidade, da pré-história ao período islâmico
- espólio reunido por Leonel Trindade ao longo de décadas de trabalho de campo
- um convento franciscano como contentor de tudo isto
- poucas multidões, mesmo nos fins-de-semana



