dentro da fortaleza, o mar tem cinco mil anos
Um cepo de âncora romana e anzóis com mais de dois mil anos antes de Cristo: são os primeiros objectos que encontras no Museu Marítimo de Sesimbra, e já dizem tudo sobre o que este sítio tem para contar. Não é um museu de quadros com etiquetas. É uma linha do tempo da relação entre esta costa e os humanos que a trabalharam.
O museu fica instalado na Fortaleza de Santiago, mesmo à beira-mar, e isso não é detalhe decorativo. O edifício faz parte da exposição: andas de sala em sala por um forte do século XVII com o Atlântico ali ao lado, o que muda completamente a forma como absorves o que estás a ver. Cada sala tem o seu tema: as artes de pesca, as devoções marinheiras, as rotas dos pesqueiros, o rei D. Carlos e a sua ligação ao Parque Marinho Professor Luiz Saldanha.
Muito do que está exposto veio directamente de pescadores e famílias de pescadores sesimbrenses: redes, maquetas, objectos de embarcações e de lojas de companha. Há também uma base de dados digital com marítimos da zona e as principais rotas que usavam. Informação que não existia em nenhum livro, reunida em colaboração com quem viveu no mar. Um ano depois de abrir, em 2016, ganhou dois prémios e uma menção honrosa no Prémio Museu do Ano da Associação Portuguesa de Museologia, o que para um museu local diz bastante.
Sais pela fortaleza com a baía de Sesimbra à frente e percebes que o que viste lá dentro não é história morta. Os barcos ainda saem daqui.
o que vais encontrar
- cepo de âncora romano e anzóis pré-históricos como peças de abertura
- a fortaleza de Santiago como parte integrante do percurso
- maquetas feitas por autores sesimbrenses
- base de dados digital de marítimos e pesqueiros locais
- visita auto-guiada com liberdade para escolher a ordem das salas




