o primeiro museu de arte islâmica de portugal, instalado num celeiro
Quarenta anos de escavações arqueológicas em Mértola couberam dentro de um antigo celeiro junto à Porta da Ribeira. O edifício pertenceu à Casa de Bragança e servia de armazém para a produção da região; hoje guarda lápides funerárias, cerâmica, vidros e elementos arquitectónicos dos séculos IX a XIII, recolhidos sobretudo na alcáçova da vila.
O Núcleo de Arte Islâmica foi o primeiro museu dedicado a esta temática em Portugal, inaugurado em 2001. Grande parte das peças vêm de um bairro do século XII que existia junto à alcáçova, o que lhes dá um contexto muito concreto: não são objectos avulsos, são o registo material de uma comunidade específica, num sítio específico, à beira do Guadiana.
Dentro do espaço há dois elementos que valem atenção particular: a maqueta da antiga mesquita, entretanto convertida na Igreja Matriz que ainda hoje domina a vila, e a cúpula do átrio, construída segundo modelos arquitectónicos do Magrebe. A cúpula não é decorativa, é uma afirmação de que o museu foi pensado para fazer sentido com o que expõe.
Mértola é uma das poucas vilas do país onde a camada islâmica não foi apagada nem folclorizada, e este núcleo é o argumento mais sólido para perceber porquê.
quatro séculos condensados numa colecção
O espólio cobre do século IX ao XIII, um período em que Mértola era um porto fluvial activo com ligação directa ao Mediterrâneo pelo Guadiana. Essa posição explica a qualidade e a diversidade dos materiais: os vidros e os metais não são peças de produção local rudimentar, são objectos que circulavam em redes comerciais longas.
As lápides funerárias têm inscrições em árabe e são lidas no museu com contexto arqueológico preciso, sabe-se de onde vieram e em que condições. Isso distingue este acervo de colecções formadas por aquisição: há aqui uma cadeia de custódia arqueológica que raramente se encontra em museus desta escala.
o que vais encontrar
- cerâmica, vidros e metais do período islâmico com proveniência documentada
- lápides funerárias com inscrições em árabe
- maqueta da antiga mesquita, hoje Igreja Matriz visível a poucos metros
- cúpula de inspiração magrebina no átrio do edifício
- um celeiro do século XIX reconvertido sem perder a estrutura original



