Núcleo Museológico Rota da Escravatura
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Núcleo Museológico Rota da Escravatura

o chão que Lagos preferia esquecer

Em 2009, uma obra de estacionamento subterrâneo no Vale da Gafaria abriu um buraco no presente e caiu directo no século XV. No meio de uma lixeira da época moderna apareceram mais de 150 esqueletos humanos. Os estudos confirmaram o que a localização já sugeria: eram africanos trazidos para Lagos como mercadoria, descartados naquele sítio quando já não tinham utilidade comercial, misturados com o lixo da cidade.

A Rota da Escravatura existe para isso. O espaço ocupa o local do que terá sido o primeiro mercado de escravos da Europa, na Praça do Infante, e propõe uma leitura da expansão portuguesa que os folhetos de turismo raramente põem em primeiro plano. Não é confortável. Não é suposto ser.

O museu tem também uma visita virtual disponível online e em aplicação, se quiseres preparar a ida ou aprofundar depois. Mas há coisas que o ecrã não substitui: estar naquele chão específico, naquela praça, nessa cidade que construiu parte da sua riqueza exactamente aqui.

Lagos vende bem a beleza das grutas e das praias douradas. Este sítio exige outra coisa, uma atenção mais demorada ao que ficou por baixo de tudo isso.

o que vais encontrar

  • os dados arqueológicos do Vale da Gafaria, com os esqueletos como ponto de partida narrativo
  • uma leitura directa do papel de Lagos no comércio atlântico de escravos do século XV
  • um espaço que não suaviza o assunto para conforto do visitante

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