o rio está literalmente nas paredes
Janeiro de Cima fica na margem esquerda do Zêzere, em frente a Janeiro de Baixo na outra margem. A primeira coisa que notas, mal entras pelas ruas estreitas, é o que está nas paredes. Seixos brancos e rolados, recolhidos directamente do leito do rio, embutidos no xisto. Aparecem nas fachadas das casas, nos muros das hortas, nos remates dos portais. É o rio metido na construção.
O núcleo medieval cresceu em redor da Igreja Velha, e dali parte um emaranhado de ruas, becos, ruelas e quelhos, com as casas a encostarem-se umas às outras. O núcleo inicial da igreja é anterior ao século XV, mas o que vês hoje resulta de reformulação no século XVIII, com três altares em talha e arco cruzeiro de volta perfeita. Quando deixou de ter capacidade para acolher os fiéis no século XX, construiu-se a Igreja Nova na periferia.
A vida produtiva da aldeia dependeu do rio. Nas margens cultivava-se linho, e as tecedeiras de Janeiro fizeram fama nos tecidos: ainda hoje, no centro histórico, a Casa das Tecedeiras mantém o ofício, com teares artesanais a produzir peças por encomenda. No Parque Fluvial da Lavandeira, à beira do Zêzere, está a Praia Fluvial de Janeiro de Cima, e daqui partem ainda hoje passeios em barca, herdeiros do tradicional "Ó da barca!" que convocava o barqueiro para a travessia até à outra margem.
vai sabendo que
- as paredes têm seixos brancos rolados do leito do Zêzere; é a marca da aldeia
- a Casa das Tecedeiras tem teares artesanais e produz peças de linho por encomenda
- partem passeios em barca pelo rio a partir do Parque Fluvial da Lavandeira
- a aldeia gémea, Janeiro de Baixo, fica na outra margem; hoje há ponte rodoviária a ligá-las





