as casinhas que a serra escondeu durante séculos
Chegas à curva certa e é como se o monte tivesse dobrado sobre si próprio para proteger o que está lá dentro. Casas de xisto empilhadas em socalcos, portadas e janelas pintadas de azul a contrastar com a pedra escura, a aldeia a cair pela encosta da serra do Açor em direcção à ribeira. O Piódão não foi descoberto por acidente: durante séculos foi propositadamente difícil de alcançar. Hoje integra a rede das Aldeias Históricas de Portugal, está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1978, e venceu na categoria de Aldeias Remotas das 7 Maravilhas de Portugal.
O xisto continuou aqui o único material possível, não por estética nem por moda, mas por necessidade e por uma tradição construtiva que não se deixou substituir. Não há uma casa que quebre o padrão. A excepção que confirma a regra é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no centro: caiada de branco com detalhes em azul, sobe acima das casas de xisto e funciona como ponto de orientação quando te perdes a subir pelos carreiros de pedra. Foi reconstruída no final do século XIX sobre um templo do século XVII.
Tens museu na aldeia e praia fluvial ao fundo da encosta. Mas se vieste até cá, dá-te ao trabalho de continuar quatro quilómetros até à Foz d'Égua, com a sua ponte suspensa e a confluência das ribeiras: é tão essencial à experiência como o próprio Piódão. Sai cedo ou fica para o final do dia, quando os grupos se vão embora e a serra do Açor volta a fechar sobre a aldeia com aquela luz que o xisto absorve de forma diferente consoante a hora.
vai sabendo que
- carreiros de xisto em ladeira que não perdoam solas lisas
- vai cedo ou ao fim da tarde para escapar à multidão dos autocarros
- o museu na aldeia e a praia fluvial ao fundo da encosta visitam-se sem desvio
- Foz d'Égua a 4 km é parte do mesmo programa, com ponte suspensa e ribeira




