museu ou afloramento de xisto, decides tu
O betão da fachada tem pigmentos minerais e foi tratado para imitar as irregularidades do xisto local. De longe, o edifício parece brotar do monte como uma rocha. Ao aproximares-te, a ilusão não desaparece, reforça-se. Os arquitectos portuenses Camilo Rebelo e Tiago Pimentel foram directos no pressuposto: integração total na paisagem, sem pedir desculpa pelo tamanho.
O Museu do Côa assenta no topo da colina sobre a foz do rio Côa, no ponto exacto onde o vale encontra o Douro. É essa posição que explica a ideia central do projecto: o museu existe para celebrar dois patrimónios mundiais ao mesmo tempo, a arte pré-histórica do vale e a paisagem vinhateira duriense, visíveis ambos da mesma colina.
Não confundas este espaço com o destino principal. O próprio museu avisa: o "verdadeiro" museu é o Parque Arqueológico lá fora, nas rochas, nos sítios. O edifício funciona como portal de entrada para esse contexto, e também como centro de acolhimento a investigadores, com a maior biblioteca nacional dedicada à arte rupestre. Mas para quem chega sem saber bem onde está, o enquadramento muda tudo. Estás num sítio onde há gravuras com 20 000 anos numa rocha a céu aberto, e o museu está ali precisamente para que isso faça sentido antes de ires ver.
a ideia por trás da pedra
A concepção parte de uma premissa que não é comum em museus: a de que a arte paleolítica do Vale do Côa é, em si mesma, uma das primeiras manifestações de land art da história humana. O edifício responde a essa ideia tentando ser, ele próprio, parte da paisagem em vez de se impor a ela.
O volume é parcialmente engastado no monte, o perfil do terreno muda pouco, e a fachada dialoga com a geologia local. Inaugurado em 2010, depois de construção iniciada em 2007, o museu é um dos maiores de Portugal mas foi desenhado para que não pareças estar dentro de um museu grande. Pareces estar dentro de uma rocha que alguém abriu com cuidado.
o que vais encontrar
- o edifício como primeiro objecto a observar, antes de entrares
- contexto arqueológico para preparar a visita ao parque rupestre
- biblioteca especializada em arte rupestre, a maior do país
- vista sobre a foz do Côa e a paisagem do Douro a partir do monte
- serviços educativos para grupos escolares e público geral



