onde o vinho tem arquivo e o edifício tem história
Entra pela porta da Casa da Companhia Velha e estás a pisar o antigo quartel-general da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, a entidade que no século XVIII controlava todo o comércio do vinho do Porto nesta região. O Museu do Douro instalou-se aqui por razões óbvias: não há sítio mais carregado de sentido em toda a Régua.
O museu foi criado por lei em 1997 com uma ideia pouco comum: não ser um museu de paredes fixas, mas um museu de território. Isso significa que o que acontece cá dentro é inseparável do que existe lá fora, na região demarcada que começa mesmo ali do outro lado do Corgo. As colecções e as exposições tratam o Douro como um sistema vivo, não como uma vitrine.
Desde 2018 está integrado no Google Arts and Culture, com visita virtual disponível. Mas a razão para ires em pessoa é o espaço Armanda Passos, com exposição permanente dedicada à obra da pintora, e o programa de exposições temporárias que muda com regularidade.
Peso da Régua não é uma cidade grande, mas é o centro nevrálgico do Douro vinhateiro. Sais daqui com outra leitura da paisagem que te espera nas encostas em socalcos.
um museu feito de rede
O conceito de museu polinuclear significa que o Museu do Douro existe em vários pontos da região ao mesmo tempo, através da Rede de Museus do Douro. A sede na Régua é o nó principal, mas há colecções e exposições itinerantes espalhadas por concelhos como Tabuaço, São João da Pesqueira ou Foz Côa.
Esta arquitectura em rede reflecte a própria natureza da região demarcada: extensa, fragmentada em quintas e aldeias, impossível de reduzir a um único ponto. Quem quiser levar o museu a sério vai acabar por explorar mais do que a Régua.
o que vais encontrar
- o edifício da Companhia Velha, monumento de interesse público, como contexto físico de tudo
- exposição permanente de Armanda Passos num espaço dedicado
- programa de exposições temporárias com artistas e temas ligados ao Douro





