onde a ilha acaba e o atlântico começa
A rocha cá é basáltica e nua. Nada de laurissilva, nada de sombra: a vegetação rasante dobra-se ao vento constante e o chão é pedra, terra vermelha e arbustos baixos que aguentam o que o mar manda. É a ponta mais oriental da Madeira, e sente-se.
O percurso até ao miradouro da Ponta de São Lourenço percorre uma península estreita com o oceano dos dois lados. À esquerda, à direita, sempre água. A faixa de terra vai afunilando e em certos pontos é difícil ignorar que estás a caminhar para o fim de alguma coisa.
A vista do miradouro olha para os ilhéus da Ponta de São Lourenço e, em dias limpos, para as Ilhas Desertas ao sul. Não é uma vista suave. É angular, cortada, com falésias que caem a pique e ondas que chegam de largo com força suficiente para te lembrar onde estás.
Vens aqui pela paisagem despida, pelo contraste total com o interior verde da ilha, e pela sensação de estar mesmo na borda.
geologia à superfície
A península foi formada por escoadas de lava e é uma das poucas zonas da Madeira onde a rocha vulcânica fica exposta sem cobertura vegetal densa. Isso significa que lês a geologia da ilha directamente no chão: camadas, cores, texturas que noutro sítio estão escondidas.
Os tons variam entre o negro do basalto, o ocre das formações oxidadas e o branco das zonas de calcário biodetrítico, uma raridade na Madeira. São cores que não esperavas encontrar numa ilha tão verde.
vai preparado para
- vento forte mesmo em dias de sol
- ausência total de sombra no percurso
- chão irregular com passagens estreitas perto das falésias
- ilhéus visíveis à frente e Desertas ao fundo em dias claros



