Praias fluviais para quando a estrada já chateia
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Praias fluviais para quando a estrada já chateia

o centro do país tem o melhor que há

O mapa de Portugal no verão tem uma lógica estranha: toda a gente vai para o mesmo sítio ao mesmo tempo, pela mesma autoestrada. Se estás a fazer esse caminho de norte a sul ou de sul a norte e o carro já começa a pesar, há uma alternativa que não está nos folhetos da agência de viagens.

Água de rio. Fria, limpa, com fundo visível e sem ninguém a vender berlindes na toalha ao lado.

A Praia Fluvial de Loriga fica no fundo de uma garganta da Serra da Estrela, encaixada onde o rio Loriga sempre correu. A água desce da montanha, chega fria e transparente e não tem preço de entrada. A aldeia histórica está mesmo ali em cima, com granito e ruas estreitas, mas isso fica para depois do mergulho. Em agosto, quando as praias do litoral estão a rebentar, este vale fechado tem uma escala que já quase não existe: não é grande, não tem multidões a disputar cada metro de sombra. O sol entra em corte pelos choupos e o rio faz barulho de fundo. A tarde passa sem dar conta.

A Praia Fluvial Fragas de São Simão é o tipo de sítio que existe porque a geologia quis assim. A Ribeira de Alge foi rasgando o quartzito durante milhões de anos e o resultado são piscinas naturais esculpidas na rocha, entre duas fragas partidas a pique. A água é fria e com visibilidade total, o fundo de pedra miúda visível sem esforço. Fica em Figueiró dos Vinhos, no interior de Leiria que a maior parte das pessoas passa a correr na autoestrada. Para sul há levadas e pequenas ilhas para quem não quer ficar parado. Para quem fica, o vale fechado corta o barulho do resto do mundo de forma bastante eficaz.

No Zêzere, a Praia Fluvial Castanheira ou Lago Azul, em Ferreira do Zêzere, tem naquele nome duplo qualquer coisa de honesto: é lagoa, é rio, é das duas coisas um pouco. A água tem aquela cor que justifica o segundo nome e o ambiente é de quem sabe o que veio cá fazer.

Em Arganil, a Praia Fluvial de Foz D'Égua junta dois cursos de água num ponto onde o vale se abre o suficiente para respirar. É o género de pausa que não está a nenhuma hora de distância de nada importante, o que a torna uma opção real a meio de qualquer roteiro pelo centro.

E depois há a Praia Fluvial do Cabril do Ceira, na Lousã, com o Ceira a passar entre pinheiros e xisto numa das regiões que mais tempo demorou a aparecer nos guias. A paisagem não mudou muito por causa disso.

porquê agora

Há uma razão para estas praias fluviais continuarem a funcionar em agosto sem entrar em colapso: a maior parte das pessoas ainda não sabe bem onde ficam. Não têm linha de costa, não aparecem nas buscas óbvias, não têm hotel de design ao lado. Têm água fria, sombra natural e a sensação de que paraste mesmo, não só trocaste de estacionamento.

O centro do país tem uma densidade de rios, ribeiras e vales encaixados que não tem paralelo no litoral. Se a tua rota passa por algum destes concelhos, a paragem não demora mais do que deixar a mala no carro e seguir o som da água.

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