duas pirâmides vermelhas à beira do Atlântico
Entras por um jardim com pinheiros e o edifício impõe-se antes de chegares à porta. Eduardo Souto de Moura desenhou a Casa das Histórias Paula Rego em betão vermelho, com duas torres piramidais que sobem acima das copas das árvores. Não é uma linguagem neutra nem discreta: o edifício já é uma declaração.
Lá dentro, a coleção permanente reúne décadas do trabalho de Paula Rego, desde os anos mais experimentais até às séries figurativas que a tornaram incontornável. As telas são grandes, os temas são pesados, as personagens olham-te de volta. Não é arte para decorar paredes.
O contexto geográfico tem peso aqui. Cascais foi durante muito tempo o refúgio de Rego (e do marido, o pintor Victor Willing), e a relação com a costa oeste portuguesa está cosida em vários trabalhos. Vês Cascais doutra maneira quando sais.
prémio de arquitectura com obra dentro
Souto de Moura ganhou o Prémio Secil de Arquitectura 2010 por este edifício, e a distinção faz sentido quando percebes como os espaços interiores funcionam com a luz natural. As salas não são neutras: têm altura, direcção, intenção. A arquitectura não compete com a obra, mas também não desaparece.
O museu inaugurou em 2009 com a própria Paula Rego presente, e mantém desde então um programa de exposições temporárias a par da coleção permanente. Duas por ano, normalmente com artistas em diálogo com o universo da pintora.
vai preparado para
- as pirâmides vermelhas vistas do jardim antes de entrar
- figuras humanas que incomodam, de propósito
- a ligação entre a obra de Rego e a costa de Cascais a ganhar forma na tua cabeça
- espaços com pé-direito alto que mudam o ritmo da visita



