o museu que o abade construiu peça a peça
Francisco Manuel Alves, o Abade de Baçal, passou anos a recolher tudo o que contava a história do Nordeste Transmontano. Estelas funerárias, machados da Idade do Bronze, máscaras rituais, moedas romanas. Quando saiu da direcção, em 1935, o nome da instituição já era o dele.
O edifício é o antigo Paço Episcopal de Bragança, classificado desde 1986, com um jardim que apanha de surpresa quem entra sem saber. Lá dentro, o Museu do Abade de Baçal salta do neolítico para a arte sacra barroca, depois para desenhos de Almada Negreiros e ourivesaria civil do século XVIII. Não é confusão, é estratificação.
A colecção de máscaras transmontanas merece atenção demorada. São objectos de ritual, ligados ao ciclo festivo da região, e têm uma presença que não se explica bem em palavras. Vês e percebes.
Se vens a Bragança e passas aqui meia hora, fizeste mal as contas. O Nordeste Transmontano tem uma espessura histórica que este museu deixa ver camada a camada, num paço episcopal que ainda sabe a paço episcopal.
o que vais encontrar
- o pluvial quinhentista, raro e em bom estado
- as estelas funerárias romanas com inscrições ainda legíveis
- o contador indo-português do século XVII, vindo do legado Sá Vargas
- as máscaras transmontanas, que ocupam espaço próprio e impõem-se
- o jardim do paço, sossegado e fácil de ignorar por engano



